VIAGEM DE ESTUDOS À AMÉRICA
LATINA
Os docentes do Curso de
História/UCDB, Neimar Machado de Sousa e Carlos Augusto de Oliveira
Ferreira, organizam e acompanham professores, acadêmicos e interessados
em uma viagem de estudos para as ruínas do complexo arqueológico
de Machu Picchu, no município de Cuzco,
Peru, Lago Titicaca e região desde o ano de 2007.
O projeto prevê a realização das viagens, sempre no
mês de janeiro, férias escolares. Além de Machu
Picchu, as viagens incluem visitas guiadas a outros centros de interesse
cultural e histórico nas cidades bolivianas de La
Paz (Bolívia) e Copacabana
(Bolívia), além de Puno (Peru), Urubamba (Peru), Pisaq
(Peru), Chinchero (Peru) e comunidades camponesas
como Occobamba. Os objetivos mais imediatos foram romper com roteiros
turísticos tradicionais e privilegiar o contato com as culturas
locais, ampliar o conhecimento sobre história da América,
Império Inca e sobre os costumes
e tradições das populações nativas atuais
no Peru e Bolívia como os falantes de Aymará e Quíchua.
Durante a viagem, em Cuzco, foram visitados os museus Inka, da Universidade
Santo Antonio Abade de Cuzco, Casa Inca Garcilazgo de la Vega, onde viveu
um dos primeiros cronistas da história do Império Inca ou,
na língua Quíchua, Tahuantisuyo, Museu e Mosteiro de Santa
Catarina, a catedral de Cuzco, uma das maiores igrejas coloniais na América
Latina, a Igreja de San Cristóvão, no antigo palácio
do rei inca Atahualpa, San Blás, jóia da escultura colonial
em madeira. Andar pelas ruas de Cuzco e La Paz é um aprendizado
à parte, pois, ao caminhar, observa-se a tradição
artesanal de tecidos
indígenas com seus clássicos motivos geométricos
relacionados ao controle do que foi colhido e plantado por parte das mulheres,
tradicionais tecelãs.
A visita às igrejas cuzquenhas permitiu observar obras de pintura
e escultura de antigos mestres indígenas da escola cuzquenha como
Marcos Zapata, Sinchi Roca e do círculo de Bernardo Bitti. No âmbito
da escultura, foi muito importante a visita à Igreja de San Blás,
no histórico bairro de San Blás, onde se encontra um púlpito
com incríveis detalhes esculpidos em madeira.
Os famosos quadros da escola cuzquenha apresentam motivos religiosos cristãos
com a inserção de discretos elementos míticos da
cultura, fauna e flora locais, além da típica presença
do vermelho, herança da colonização espanhola.
Em Cuzco, ocorreram visitas guiadas ao antigo centro religioso do Império
Inca chamado de Qorikancha,
ao centro administrativo de Saqsayhuaman, ao templo de Q’enqo,
ao complexo agrícola inca em Chinchero, ao templo de culto à
água, chamado Tambomachay,
ao complexo de Pisaq,
Museu Municipal de Pisaq,
no vale sagrado dos incas onde eram iniciados os sacerdotes andinos e
à fortaleza de Olhantaytambo,
que guarnecia o caminho para Machu Picchu, no fértil vale do rio
Urubamba. Na cidade ainda é possível observar em uma só
rua, uma peça arquitetônica inca, pré-inca e colonial
espanhola. É o caso do antigo Palácio do Inca Roka, rua
Hatun Rumiyoc, atual Museu do Arcebispado, onde pode ser observada a precisão
da arquitetura inca, a pedra
de doze ângulos.
Em La Paz, capital política da Bolívia, foram visitadas
as escavações arqueológicas em Tiwanaku,
onde está localizado um antigo calendário agrícola
conhecido como Porta do Sol, além do Museu
de Arte Nacional, a igreja colonial e convento de São Francisco
e a catedral de N. S. da Paz. Na cidade de Copacabana,
nas margens do Titicaca, houve uma visita à Ilha
do Sol e ao santuário da padroeira da Bolívia, N. S.
de Copacabana.
O Titicaca, na fronteira
entre a Bolívia e Peru, é o mais alto lago navegável
do mundo e origem mítica dos incas. O lago continua sendo navegado
por embarcações de um tipo de palha conhecido como totora,
além de fornecer pescado como a Truta e o Pejerrey. A região
é habitada por inúmeras comunidades de camponeses indígenas
falantes da língua Aymará. Nas férteis margens, os
agricultores cultivam variedades de cereais e batatas.
De acordo com alguns mitos incas, os filhos do sol, denominado de Inti,
fundadores da primeira dinastia do império, sediado em Cuzco, partiram
da ilha do sol, no lago Titicaca. Seus nomes eram Manco Capac e Mama Occlo.
A palavra Cuzco significa centro ou umbigo do mundo na língua Quíchua.
A visita aos terraços agrícolas possibilitou observar como
os incas, além do combater a erosão, utilizavam técnicas
sofisticadas de irrigação que permitiram o cultivo de mais
de 3.000 variedades de batatas e cereais na região da Cordilheira
dos Andes.
A tecelagem andina foi muito
desenvolvida além de necessária para os incas suportar os
rigores do clima andino. Os tecelãos expressavam a ligação
com a Pacha Mama, a mãe terra, através de seus tecidos mediante
a reprodução de seu modo de vida em desenhos
tradicionais. Utilizavam a lã de lhamas, alpacas
e ovinos, tingida com
pigmentos minerais e não-minerais, separada em fios e depois tecida
em teares pelos artesãos.
A domesticação dos camelídeos americanos, como a
Lhama, Alpaca
e a Vicunha, possibilitou o transporte de mercadorias por longas distâncias
em regiões áridas e terrenos íngremes da cordilheira.
Estes animais fornecem até hoje a lã, o couro e a carne
para a alimentação.
As técnicas de construção em pedra e adobe sem argamassa
permitiram a construção de enormes complexos urbanos que
incluíam templos, fortalezas e palácios. Isto demonstra
a capacidade de organização burocrática estatal dos
incas e o planejamento necessário para mobilizar contingentes de
construtores, saber onde requisitar a mão-de-obra e a alimentação
de gerações de trabalhadores mediante o cultivo de cereais
como a Quínua e a Quiwicha.
Participaram do projeto acadêmicos, professores, funcionários,
parentes e amigos da Universidade Católica Dom Bosco e de outras
instituições. Apesar do frio na região sub-andina
e da altitude média de 3.000 metros acima do nível do mar,
o passeio é extremamente rico por possibilitar o aprendizado mediante
a observação in loco de outras realidades humanas, geográficas
e cronológicas tão perto, mas, ao mesmo tempo, tão
distantes da nossa.
Durante a viagem, é possível observar costumes e práticas
indígenas ancestrais da América que ainda continuam como:
roupas típicas, relação diferenciada da ocidental
com a natureza, práticas religiosas antiqüíssimas,
cereais andinos cultivados desde os tempos pré-colombianos e que
sobreviveram à conquista espanhola, apuradas técnicas agrícolas
e têxteis desenvolvidas antes e durante o império Inca, além
da possibilidade de conversar com a população indígena,
muito numerosa na Bolívia e Peru. Uma verdadeira aula prática
de História da América.
Última Atualização:
02/10/2010
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